Feminização da pobreza

A feminização da pobreza é um fenômeno característico dos tempos atuais. Pode-se dizer mesmo que a pobreza no mundo tem hoje um rosto feminino. No quadro da IV( Conferência Mundial Sobre a Mulher realizada em Beijing, em setembro de 1995, essa questão ocupou um espaço considerável nas discussões. A Organização Internacional do Trabalho divulgou durante a conferência dados que mostravam que são principalmente as mulheres que arcam com o ônus da globalização da economia. Embora a taxa média anual de crescimento da população feminina economicamente ativa nos últimos dez anos tenha sido de 2,1% (o dobro do crescimento da taxa de atividade dos homens) a chegada dessas mulheres ao mundo do trabalho se faz de forma não satisfatória. A concorrência no mercado mundial tranformou-as cada vez mais em mão-de-obra extremamente barata. Além disso, a evolução tecnológica tornou obsoletas as profissões tradicionalmente femininas como atividades em escritórios, trabalhos de montagem na indústria e ocupações agrícolas manuais, empurrando as mulheres em direção ao trabalho ocasional, à sub-locação de sua força de trabalho e ao trabalho à domicílio que a OIT classifica como "invisível", particularmente exposto à exploração e freqüentemente excluído da proteção da legislação trabalhista.

Nos países em desenvolvimento, as dificuldades econômicas que resultam dos programas de ajustamento estrutural obrigam cada vez mais as mulheres a aceitarem empregos no setor informal urbano e rural. Mesmo nos países desenvolvidos onde a situação das mulheres, de maneira geral, é melhor a discriminação salarial ainda persiste. Na Inglaterra e na França o salário das mulheres em termos de igualdade com os homens não progrediu nos últimos dez anos e chegou mesmo a recuar em países como a Dinamarca e a Islândia.

A situação é ainda mais grave quando se sabe que em todo mundo durante os anos 80 cresceu significativamente o número de lares chefiados por mulheres. Na Europa eles chegam a 31% das famílias e a 50% nos países africanos e do Caribe. No Brasil, a situação não é muito diferente. Os baixos salários aliados às responsabilidades de chefiar uma família - atualmente cerca de 25% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres - levam a que cada vez mais a pobreza adquira um perfil feminino.


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